quarta-feira, 1 de setembro de 2010

BIG FOUR capítulo IV: Metallica

  E para terminar a série especial BIG FOUR, a suposta precursora do movimento thrash. Dizem que a banda Overkill foi a primeira thrash. Não sei exatamente, mas para mim ainda é o Metallica.
  O Metallica é, na minha opinião, atrás do Iron Maiden, uma das maiores bandas de metal da atualidade, apesar de todos os percalços e problemas. Por mais que eu diga isso, essa posição do Metallica no "mundo do metal" deve-se muito mais ao valor histórico do que pela qualidade dos últimos trabalhos. Esclareço que sou muito fã de Metallica, pois foi uma das primeiras bandas de metal que ouvi, mas, ao contrário de milhares, não sou um fã xiita fanático doido cego.... afinal, nenhuma banda é perfeita.
  Reproduzindo o que a maioria dos fãs mais "mente-fechada" falam, minha era favorita do Metallica é a dos primeiros 4 álbuns. É tanto riff memorável, solo foda e instrumental marcante que dá raiva (hehehe). Kill´em All (1983) mostra uma raiva seminal que mais tarde seria lapidada, com peças violentas como Motorbreath, Phantom Lord, Seek and Destroy e Hit the Lights. Como fã de Dave Mustaine, vale mencionar o poder das composições do Musta que mais tarde formaria o Megadeth.
  Como um álbum de estréia, Kill´em All foi destruidor demais, e o melhor de tudo é que a banda iria melhorar e refinar o som a cada lançamento (até certa época). Ride the Lightning (1984) mostrava essa refinação em vários aspectos: solos melhores, riffs melhores ainda, vocais de James Hetfield matadores (destaque para as linhas vocais "death-metalescas" de Fight Fire with Fire) e bateria um pouco mais técnica por parte de Lars Ulritch. Master of Puppets (1986) é, na minha opinião (novamente), um dos álbuns mais superestimados da história. Claro, melhora ainda mais a produção e técnica apresentada no álbum passado, mas acho que há faixas que são cansativas e algumas faixas apresentam partes assim também (The Thing That Should not be é chata demais, assim como algumas partes e riffs de Master of Puppets, Disposable Heroes e Damage Inc). Um bom álbum sem dúvidas, mas superestimado ao extremo. Vale lembrar que até este ponto, a banda contava com o lendário Cliff Burton, um dos baixistas mais influentes hoje em dia. O cara era foda.
  Como o álbum seguinte vai ser indicado por mim, partiremos à época polêmica do Metallica: a era mainstream.
  Estavam lá os fãs do Metallica esperando mais um tapa na orelha, e sai o álbum Metallica (1991), algo completamente diferente do que eles esperavam. Onde estava o Metallica das musicas longas? da velocidade desgraçada? dos solos incríveis a-la One? Bom.... no passado eu diria. Músicas reduzidas em formato comercial, repetição exaustiva de riffs e baladinhas melosas (PORRA! Sanitarium não era melosa, nem Fade to Black). Claro, haviam faixas aproveitáveis como Enter Sandman, Sad But True, Holier than Thou e Nothing Else Matters, mas o resto era chato e genérico demais. Pena que a partir desse álbum ocorreu uma série de erros: Load(1996) e Reload(1997). Reconheço que Load é um álbum acima da média, pois tem as melhores letras já compostas por Hetfield, solos que encaixam perfeitamente e um hard rock interessante de se ouvir, mas a "continuação" é simplesmente horrível, uma montanha-russa de qualidade, onde se começa lá encima (com Fuel) e vai caindo horripilantemente, onde temos material bem.... "memorável" (Fixxer, Prince Charming, entre outras "maravilhas"). Apesar de Load ser bom, qualquer banda de hard rock faz um álbum melhor.
  Maaaaaais tarde, quando ninguém mais esperava nada, a banda lança o documentário Some Kind of Monster, onde eles documentam as crises e briguinhas que aconteciam na época, além dos surtos criativos de Hetfield. Gostei do documentário, apesar de haver uns momentos bem gays que te fazem pensar "por que eles se mostraram tanto?". Enfim, não lembro se foi antes ou depois que saiu o álbum St. Anger (2003), só sei que.... foi uma merda (de novo). Riffs repetidos incansavelmente, som de bateria horrível (patrocinado por: Suvinil), letras infantis e estúpidas querendo parecer inteligentes, e a falta de solos que contribui com o tédio que as faixas causam. Mesmo assim Franctic, The Unnamed Feeling e St Anger conseguem meio que se salvar no monte de lixo.
  Novamente maaaaais tarde, a banda decide que vai lançar um álbum de "volta as raízes". Muito alarde é causado, e muitas pessoas previam algo ruim como St Anger. Quando uma faixa foi tocada ao vivo, Cyanide, meus medos de ser pior que St Anger foram pro poço, e me deram um ar de felicidade, apesar da faixa ainda ser ruimzinha. Depois saiu o álbum completão, Death Magnetic (2008)....
  Apesar de ter sentido um pouco da aura "old-school" de volta ao Metallica, algo estava faltando. Algo parecia forçado demais. Apesar de ter faixas boas que relembravam os primeiros álbuns (That Was Just Your Life) ainda havia uma falta de inspiração. Alguns riffs eram repetidos de maneira exaustiva novamente, as letras continuavam bobas, os solos que antes não existiam, estavam ruins.... ruins de doer. Mas no meio de todas aquelas faixas que causavam pouco impacto, uma se sobressaiu desde o início pra mim: All Nightmare Long. Essa faixa é o som que o Metallica de hoje em dia deveria executar: uma mistura de influências do passado com um som mais St Anger sem soar horrível. Mas essa faixa não é a única que é boa logicamente. The Day that Never Comes, The End of the Line e That Was Just Your Life são boas faixas. O resto me deixa indiferente, pois a inspiração faz falta, tanto nas letras, solos e trabalho de bateria.
  Eu gostaria de indicar o álbum Garage Inc.(1998), mas seria injusto, pois é um album exclusivamente de covers. Então fico com ...And Justice for All (1988). Apesar do novo baixista Jason Newsted ter sido um mero enfeite no encarte, esse álbum é incrível. O timbre de Hetfield melhorou a um nível impressionante, mostrando muita agressividade e melodia quando necessário, e essa qualidade de timbre também faz parte das guitarras, que possuem um som lindo. O trabalho de bateria de Lars Ulrich é simplesmente o ápice de sua técnica na banda, talvez num nível que o baterista nunca mais chegará na vida. Os solos de Hammett também acompanharam uma progressão, com uma técnica incrível e senso melódico extremamente aguçado (solos de One, The Shortest Straw e Dyers Eve recomendados para audição). Isso tudo, aliado a riffs extremamente competentes (Blackened), mudanças de ritmo intrincados e letras fodas, faz com que eu recomende este álbum. Talvez por eu ter um pé maior no progressivo.... mas.... esse toque progressivo do álbum é o charme dele.
  Desejo tudo de bom pro Metallica. Que eles consigam achar a inspiração que ainda não foi encontrada em sua plenitude, e que Hammett e Ulrich voltem a treinar. E que continuem com o show variado que sempre tiveram.


...And Justice for All (1988)

LINK: http://www.4shared.com/file/QXhcvKve/1988_-_And_Justice_for_All.htm



Tracklist
1- Blackened
2- And Justice For All
3- The Eye of the Beholder
4- One
5- The Shortest Straw
6- Harvester of Sorrow
7- The Frayed Ends of Sanity
8- To Live is to Die
9- Dyers Eve

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